Redação para concurso

Introdução e conclusão de redação: como começar e terminar bem

Monte a introdução em 3 movimentos, use 3 modelos de abertura que servem para qualquer tema e feche a conclusão com proposta de intervenção.

12 min de leitura · atualizado em 7 de setembro de 2026 · por Equipe Edital Hoje

Folha de redação pautada vista de cima, com o primeiro e o último parágrafo destacados em laranja e os parágrafos do meio em cinza claro
Introdução e conclusão de redação: os dois parágrafos que o corretor lê com mais atenção

Você olha para a folha em branco, escreve "nos dias atuais" e trava. Meia hora depois, despeja tudo o que sabia no meio do texto e termina com "portanto, conclui-se que é preciso conscientizar a população". Os dois parágrafos que o corretor mais pesa são exatamente os dois em que quase todo candidato trava.

Aqui você vai montar a introdução em três movimentos que cabem em cinco linhas, ver três aberturas que funcionam em qualquer tema e três que queimam o texto na largada, e fechar a conclusão retomando a tese sem repetir palavra por palavra — com proposta de intervenção quando a banca pedir. Dois "antes e depois" mostram a diferença na prática.

Por que o corretor pesa tanto o primeiro e o último parágrafo?

Porque são os dois lugares onde ele descobre, em segundos, se dá para confiar no seu texto. Na introdução, se você entendeu o tema e qual é a sua posição. Na conclusão, se você chegou a algum lugar ou só encheu linha.

Folha de redação pautada vista de cima, com o primeiro e o último parágrafo destacados em laranja e os parágrafos do meio em cinza claro
Introdução e conclusão de redação: os dois parágrafos que o corretor lê com mais atenção

A introdução funciona como uma promessa: "vou defender isto, por estes caminhos". O desenvolvimento cumpre. A conclusão mostra o que foi cumprido. Quando a introdução promete uma coisa e o texto entrega outra, o candidato cai em fuga parcial do tema — e esse desconto nasce no primeiro parágrafo. Veja como não fugir do tema na prova.

Nenhum dos dois precisa ser bonito. Precisam ser claros. Se você ainda está montando a base, comece pelo guia de redação para concurso e pela lista de erros que zeram a redação.

Como fazer introdução de redação para concurso em três movimentos

A introdução tem uma função só: dizer sobre o que você vai falar e qual é a sua posição. Nada além disso. Ela cabe em três movimentos, nesta ordem, e ocupa de quatro a seis linhas.

  1. Contextualizar em uma frase. Uma, não um parágrafo. Situe o assunto no mundo real: uma lei, uma mudança recente, um fato que qualquer corretor reconhece.
  2. Delimitar o tema. Estreite o assunto até o recorte exato que o comando pediu. "Segurança pública" é assunto; "o que fazer com as imagens das câmeras corporais" é tema.
  3. Apresentar a tese. Uma frase afirmativa que responde ao comando e já aponta o caminho dos argumentos. Se dá para discordar dela, é tese. Se ninguém discordaria, é lugar-comum.
Esquema de três degraus ascendentes representando contexto, delimitação do tema e tese, com uma seta subindo do primeiro ao terceiro
Os três movimentos da introdução de redação para concurso: contextualizar, delimitar e apresentar a tese
Os três movimentos em um parágrafo só
Contexto: "O uso de câmeras nos uniformes de policiais deixou de ser experimento e virou política de segurança em vários estados." Delimitação: "A discussão hoje não é mais se a câmera deve existir, e sim o que se faz com a imagem: quem guarda, por quanto tempo e quem pode pedir acesso." Tese: "Sem regras nacionais de guarda e acesso, o equipamento protege menos o cidadão e mais quem controla o arquivo."

Repare que a tese não é neutra e não é uma promessa vaga de "analisar os dois lados". Ela toma posição, e os parágrafos seguintes só precisam sustentá-la. Essa é a mesma lógica que organiza a estrutura da dissertação argumentativa inteira.

Três modelos de abertura que servem para qualquer tema

Você não precisa de um repertório novo para cada tema. Precisa de três formas de começar que funcionem mesmo quando o assunto cai de paraquedas.

1. Contexto histórico curto (uma frase, não uma aula)

Uma mudança datada e verificável: "A fiscalização do Estado sobre o próprio agente público é recente: por décadas, a palavra do policial foi a única versão registrada de uma abordagem." Uma frase basta. História longa vira enrolação e come linha.

2. Dado ou constatação

Se você tem um número que sabe de cor e tem certeza, use. Se não tem, use uma constatação, que funciona igual e não corre risco: "Toda abordagem policial produz duas versões do mesmo fato e, até pouco tempo atrás, nenhuma prova." Inventar porcentagem é o jeito mais rápido de perder a confiança do corretor — o repertório para redação serve para você não precisar chutar.

3. Definição do problema

A mais segura das três. Nomeie o conflito em uma frase e pronto: "O problema das câmeras corporais não é filmar, é decidir quem guarda a imagem." Funciona em tema jurídico, social, administrativo e ambiental, porque todo tema de concurso esconde um conflito entre dois valores legítimos.

Escolha antes da prova, não durante
Decida qual dos três é o seu modelo padrão e treine com ele até sair automático. Na prova você não terá cabeça para escolher: terá cinco minutos e uma folha em branco. Ter um modelo de introdução de dissertação pronto é o que separa quem começa na primeira leitura do comando de quem começa vinte minutos depois.

Três aberturas que queimam o seu texto na primeira linha

Três portas lado a lado, duas verdes abertas e uma vermelha fechada com um X, representando aberturas de redação que funcionam e uma que queima o texto
Três aberturas seguras e uma que queima o texto: como começar uma redação sem lugar-comum

A pergunta retórica vazia

"Será que a liberdade de expressão tem limites?" Quem pergunta devolve o problema para o corretor em vez de responder. A prova pede a sua posição. Transforme a pergunta em afirmação e você tem uma tese: "A liberdade de expressão tem limites, e o difícil é definir quem os aplica."

O "desde os primórdios"

"Desde os primórdios da humanidade", "desde os tempos remotos", "nos dias atuais". São frases que cabem em qualquer texto sobre qualquer coisa — e é justamente por isso que não dizem nada. Você gastou uma linha e meia e o corretor ainda não sabe qual é o tema.

Copiar o texto de apoio

Copiar ou parafrasear de perto a frase do texto motivador é o erro mais caro dos três, porque muitas bancas descontam a cópia como linha não autoral. Além de perder linhas, você mostra que não tem repertório próprio. Use o texto de apoio para entender o recorte, e escreva com as suas palavras.

O combo que aparece toda semana
"Desde os primórdios, o homem sempre viveu em sociedade. Nos dias atuais, com o avanço da tecnologia, esse tema é muito polêmico. Mas será que estamos preparados?" Três frases, nenhuma tese: o corretor chega ao segundo parágrafo sem saber o que você defende.

Antes e depois: uma introdução reescrita

Tema no estilo das bancas maiores: os limites entre liberdade de expressão e discurso de ódio nas redes sociais. A primeira versão é a que mais aparece em correção.

Antes

Desde os primórdios da humanidade, o homem sempre precisou se comunicar. Nos dias atuais, com o avanço da tecnologia, as redes sociais estão cada vez mais presentes na vida das pessoas. Será que a liberdade de expressão tem limites? Esse é um assunto muito polêmico e importante, que precisa ser discutido por toda a sociedade.

Depois

A Constituição de 1988 garante a livre manifestação do pensamento e, no mesmo dispositivo, veda o anonimato. Nas redes sociais, essa fronteira ficou difusa: publicações que atacam grupos inteiros circulam sob o rótulo de opinião pessoal. O problema não é decidir se existe limite, e sim definir quem o aplica e com qual critério. Enquanto a moderação depender apenas das regras internas de cada plataforma, a liberdade de expressão seguirá servindo de escudo para o discurso de ódio.

O que mudou: A versão fraca gasta quatro frases sem dizer o tema e termina numa pergunta, que devolve o trabalho ao corretor. A reescrita contextualiza em uma frase, delimita o recorte e fecha com uma tese que já anuncia o caminho dos argumentos: o problema está em quem aplica o limite. Mesmo número de linhas, outra impressão.

Como terminar uma redação sem repetir o que você já disse

A conclusão tem três tarefas, e nenhuma é resumir: o corretor acabou de ler o texto. O que ele procura é o fecho do raciocínio.

  1. Retomar a tese com outras palavras. Mesma ideia, vocabulário novo. Se você copiar a frase da introdução, o parágrafo vira eco.
  2. Amarrar os argumentos. Uma frase que mostre como os dois desenvolvimentos levaram até ali. É aqui que o texto ganha unidade.
  3. Fechar. Com proposta de intervenção, quando o comando pedir; com uma projeção do que acontece se nada mudar, quando não pedir.
O que não entra na conclusão
Argumento novo, citação nova, pergunta em aberto e pilha de conectivos: "portanto, conclui-se que, dessa forma, diante do exposto". Escolha um conector e siga. E nunca termine em "é preciso conscientizar a população": não diz quem conscientiza, como, nem para quê.

Reserve cinco minutos para esse parágrafo. Ele quase sempre é escrito no aperto, e dá para ver na folha. Se o tempo é o seu gargalo, use o método de escrever a redação em 30 minutos e aprenda a controlar as linhas da folha antes de chegar ao fim.

Proposta de intervenção: agente, ação, meio e finalidade

Quando o comando pede solução, medida ou proposta, ele quer uma frase que responda a quatro perguntas. Não precisa de quatro frases: uma bem construída resolve.

Esquema horizontal com quatro blocos ligados por setas representando agente, ação, meio e finalidade da proposta de intervenção
Proposta de intervenção na conclusão de redação de concurso: agente, ação, meio e finalidade
  • Agente: quem faz. Um órgão ou poder com competência real — Congresso Nacional, Ministério da Educação, o município, o Judiciário. Nunca "o governo" solto, nunca "a sociedade".
  • Ação: o que ele faz. Um verbo concreto: aprovar, fiscalizar, capacitar, publicar, integrar bases de dados.
  • Meio: como. O instrumento: uma lei, um convênio, um sistema, uma dotação orçamentária.
  • Finalidade: para quê. O efeito esperado, ligado à tese que você defendeu lá no primeiro parágrafo.
Os quatro elementos em uma frase
"Cabe ao Congresso Nacional (agente) aprovar uma lei de responsabilidade das plataformas digitais (ação + meio) que exija relatórios públicos de remoção de conteúdo e prazo para resposta ao usuário, a fim de preservar a liberdade de expressão sem transformá-la em abrigo para o discurso de ódio (finalidade)."

Cuidado com a receita: proposta decorada, com agente genérico e finalidade de cartilha, é reconhecida na hora. A boa proposta nasce do argumento — se você defendeu que falta critério na moderação, ela tem que criar critério, não "promover a conscientização". E confira no edital e no comando: nem toda banca pede intervenção. Veja como o Cebraspe cobra a discursiva e como é a redação da FGV.

Antes e depois: uma conclusão reescrita

Antes

Portanto, conclui-se que, como foi dito acima, a liberdade de expressão é muito importante, mas tem limites. Diante disso, é preciso que o governo e a sociedade se conscientizem a respeito desse grave problema, para que o Brasil se torne um país melhor e mais justo para todos.

Depois

Separar opinião de ataque não pode ser tarefa de quem publica, nem de regras internas que ninguém fiscaliza: precisa de critério público e de alguém com mandato para aplicá-lo. Cabe ao Congresso Nacional aprovar uma lei de responsabilidade das plataformas que exija relatórios públicos de remoção e prazo de resposta ao usuário, fiscalizada por órgão regulador já existente, a fim de que a liberdade de expressão continue protegida sem servir de abrigo ao discurso de ódio.

O que mudou: A versão fraca repete a tese com as mesmas palavras, empilha quatro conectivos e termina em conscientização. A reescrita retoma a tese por outro caminho, amarra os argumentos e traz os quatro elementos: agente (Congresso), ação (aprovar a lei), meio (fiscalização por órgão regulador) e finalidade (proteger a liberdade sem abrigar o ódio).

O padrão dos dois pares é o mesmo: o texto fraco fala sobre o tema, o forte toma posição sobre ele. Para ver isso em uma prova inteira, leia uma redação nota máxima comentada.

Como treinar os dois parágrafos em 15 minutos por dia

Não precisa escrever uma redação inteira todo dia. Precisa repetir os dois parágrafos até virarem reflexo.

  1. Pegue um tema qualquer de prova recente e escreva a introdução, cronometrando cinco minutos.
  2. Sublinhe os três movimentos no que você escreveu. Se algum estiver faltando, reescreva sem apagar a primeira versão.
  3. Escreva a conclusão dessa mesma introdução sem olhar para ela — se sair parecida demais, o problema é que a sua tese é genérica.
  4. No dia seguinte, troque de tema e mantenha o modelo. Em duas semanas são catorze aberturas — e a trava some.

Filtre os concursos com redação abertos e treine no estilo de quem vai te corrigir, com questões do Cebraspe ou com a banca do seu edital.

Perguntas frequentes

quantas linhas deve ter a introdução da redação

De quatro a seis linhas, em um único parágrafo. Menos que isso não cabe contexto, delimitação e tese; mais que isso, a introdução come as linhas do desenvolvimento, onde a nota se decide. Em provas de 30 linhas, fique nas quatro. Confira o total de linhas no edital do seu concurso.

como começar uma redação sem usar nos dias atuais

Comece pelo conflito do tema em uma frase afirmativa. Três aberturas funcionam em qualquer assunto: um contexto histórico curto e datado, um dado ou constatação que ninguém contesta, ou a definição direta do problema. Todas dizem algo já na primeira linha, ao contrário de fórmulas que caberiam em qualquer texto.

a conclusão de redação de concurso precisa ter proposta de intervenção

Só quando o comando pedir solução, medida, alternativa ou proposta. Muitas bancas avaliam a dissertação sem exigir intervenção, e forçar uma proposta gasta linhas sem render ponto. Leia o comando duas vezes e confira o critério no edital do seu concurso. Sem pedido, feche com uma projeção das consequências.

posso usar pergunta retórica na introdução

Pode, mas quase nunca compensa. A pergunta adia a sua posição, e o corretor precisa dela logo. O mesmo conteúdo em forma de afirmação vira tese: em vez de perguntar se existe limite para a liberdade de expressão, afirme que ele existe e que o problema é definir quem o aplica.

como terminar uma redação sem repetir a introdução

Retome a tese com vocabulário novo e sob outro ângulo: se a introdução apontou o problema, a conclusão aponta o que fazer com ele. Depois amarre os argumentos em uma frase e feche com proposta ou projeção. Se ficar quase igual à introdução, a tese era genérica demais.

o que é a tese da redação e onde ela fica

É a frase em que você responde ao comando e assume uma posição discutível. Fica no fim da introdução, depois do contexto e da delimitação, e é o que os dois parágrafos de desenvolvimento vão sustentar. Teste simples: se ninguém razoável discordaria da sua frase, ela ainda é lugar-comum, e não tese.

posso copiar uma frase do texto de apoio na introdução

Não copie nem parafraseie de perto. Muitas bancas descontam trechos não autorais e algumas desconsideram as linhas copiadas na contagem. Use o texto motivador para entender o recorte e escreva com as suas palavras, trazendo um dado, uma lei ou uma constatação do seu repertório.

Continue lendo

Conteúdo original da Equipe Edital Hoje, escrito para concursos públicos brasileiros. Critérios de correção variam por banca e por edital: confira sempre o edital do seu concurso. Última revisão em 7 de setembro de 2026.