
Você estudou o tema, montou a tese, tem argumento na cabeça. Aí senta na cadeira, recebe a folha definitiva e trava numa dúvida que parece boba: quantas linhas eu preciso escrever mesmo? Dá para passar da última? Se eu não terminar de copiar, o rascunho salva?
Este é o lado operacional da prova, o que ninguém ensina porque parece óbvio demais para ensinar. Não é. Redação boa anulada por não atingir o mínimo de linhas acontece em algum concurso do país todo mês. Vamos resolver: mínimo e máximo, divisão por parágrafo, rascunho, letra, caneta, rasura e título. Com um aviso que se repete de propósito — na maioria dos editais funciona assim, mas confira o seu.
Quantas linhas tem a redação de concurso?
Não existe um número único valendo para o Brasil inteiro. Cada banca escolhe o seu, e ele muda de edital para edital dentro da mesma banca. Dito isso, o padrão que se repete na maioria dos editais é um mínimo entre 20 e 30 linhas e um máximo entre 30 e 60 linhas.

Discursiva curta, de 20 a 30 linhas, é o formato mais comum. Texto longo, de 30 a 60, aparece em carreiras que exigem produção extensa. Treinar no tamanho errado é treinar errado: quem só escreveu textos de 60 linhas trava numa prova de 25, porque nunca aprendeu a cortar.
Onde esse número está escrito
- Edital de abertura: na seção da prova discursiva, geralmente junto dos critérios de correção.
- Comando da questão: o caderno repete o limite no dia da prova. É ele que vale.
- Folha definitiva: vem com as linhas numeradas, e a última numerada é o seu teto físico.
Os três precisam bater; se não baterem, siga o comando do caderno e não discuta em prova. Bancas têm manias diferentes: quem faz questões do Cebraspe convive com limites curtos e contagem rígida, e quem treina com provas da FGV encontra comandos mais detalhados sobre o que o texto deve conter. O guia completo de redação para concurso mostra como ler esse comando linha a linha.
Linha começada conta como linha escrita
Escreveu três palavras na linha 21? Você tem 21 linhas, não 20. Isso ajuda no mínimo e atrapalha no máximo. Já a linha deixada em branco entre parágrafos costuma consumir espaço sem contar como texto produzido. Cole um parágrafo no outro e marque só o recuo.
Como distribuir as linhas entre os parágrafos
A dúvida verdadeira não é quantas linhas escrever, é quantas gastar em cada parte. Quem não decide isso antes escreve uma introdução de nove linhas, se empolga no primeiro argumento e chega na conclusão com duas linhas sobrando. Conclusão espremida perde nota em estrutura e em proposta.
A conta é simples: introdução e conclusão somadas ficam em torno de um terço do texto, e o resto vai para o desenvolvimento, dividido igualmente entre os argumentos. Se você domina a estrutura da dissertação argumentativa, aqui é só aritmética em cima dela.

Desenvolvimento 1 — 8 a 9 linhas. Tópico frasal, argumento, repertório e fechamento amarrando com a tese.
Desenvolvimento 2 — 8 a 9 linhas. Mesma arquitetura, outro ângulo do problema.
Conclusão — 5 a 6 linhas. Retoma a tese e traz a proposta com agente, ação e finalidade.
Folga — 1 a 2 linhas. Sobra proposital, porque sua letra ocupa mais espaço na definitiva do que no rascunho.
Para 20 linhas, corte proporcionalmente: 3 de introdução, 6 e 6 de desenvolvimento, 4 de conclusão, 1 de folga. Para 60, você não ganha um quinto parágrafo automaticamente — ganha espaço para aprofundar cada argumento. Parágrafo novo só entra se tiver um argumento inteiro dentro.
Introdução e conclusão são as partes que mais travam no relógio, e por isso saem curtas demais ou longas demais. Em como escrever introdução e conclusão há modelos já com a contagem de linhas.
O rascunho da redação vale alguma coisa?
Direto ao ponto: na maioria absoluta das bancas, não. Corrige-se apenas a folha definitiva, com cabeçalho, numeração e às vezes código de barras. O rascunho fica com você ou é recolhido sem leitura. Texto perfeito no rascunho e transcrição pela metade dá a nota da metade.

Isso não faz do rascunho um desperdício. Ele é o único lugar da prova onde você erra de graça: testar a tese, cortar uma frase inteira, trocar a ordem dos argumentos, descobrir que aquele repertório não encaixa. O que ele não pode é virar a prova.
Como usar o rascunho sem perder a prova nele
- Com tempo curto, não escreva o texto inteiro palavra por palavra: faça introdução e conclusão completas, que são as que travam, e os desenvolvimentos em tópicos com as frases-chave prontas.
- Não conte linhas pelo rascunho. A pauta é outra e a sua letra ocupa espaço diferente lá.
- Marque com um traço na margem onde cada parágrafo começa. Na transcrição você só copia, não decide mais nada.
- Deixe o rascunho legível para você mesmo: erro de cópia aparece na definitiva como erro de português.
Alguns editais mandam entregar o rascunho junto com a definitiva, sem que ele seja corrigido. Entregue mesmo assim. E confira o seu edital: a regra sobre rascunho costuma estar no mesmo parágrafo que fala das linhas.
Letra legível, não bonita — e a caneta certa
Nenhuma banca dá ponto por letra bonita. Todas tiram, na prática, por letra que não dá para ler, porque o que o corretor não lê ele não pontua. Se o avaliador hesita entre "social" e "sociais", você já perdeu alguma coisa ali.
- Tamanho: ocupe a altura da linha sem invadir a de cima. Letra miúda some no escaneamento.
- Emenda: cursiva ou de forma, tanto faz na maioria dos editais. O que importa é separar bem as palavras.
- Maiúsculas: só onde a norma pede. Texto inteiro em caixa alta esconde erro de ortografia e é proibido em parte dos editais.
- Margem: respeite a margem impressa dos dois lados. O que fica fora da área delimitada pode não entrar na correção.
Sobre a caneta: esferográfica de tinta azul ou preta, corpo transparente, é o que a maioria dos editais exige. Não é frescura de banca. A folha é digitalizada e corrigida na tela, então tinta clara, gel que borra e caneta apagável podem sumir ou manchar a imagem. A apagável costuma ser proibida expressamente, porque o texto desaparece com calor.
Errei uma palavra. Rasuro ou deixo passar?
Rasura não anula redação. Rasura mal feita atrapalha a leitura, e leitura atrapalhada custa ponto. Na maior parte dos editais não há penalidade explícita por rasurar, mas há por trecho ilegível. É por essa porta que o borrão entra na sua nota.
O procedimento é sempre o mesmo, e treine até virar automático: um traço reto simples sobre a palavra errada e a correta escrita na sequência, na mesma linha, no mesmo tamanho. Sem parênteses, sem espiral de rabiscos, sem corretivo.

Linha 12 da folha definitiva: o Estado deve investe investir mais em saneamento básico — só que "investe" está coberta por uma espiral de rabiscos feita com força, que espalhou tinta na linha de cima e na de baixo, e a palavra correta foi espremida acima da linha, menor que o resto.
Linha 12 da folha definitiva: o Estado deve investe investir mais em saneamento básico — com um único traço horizontal reto sobre "investe" e a palavra correta logo em seguida, dentro da linha, no mesmo tamanho das demais.
O que mudou: O traço único preserva a legibilidade das três linhas. A espiral mancha o entorno e ainda obriga o corretor a decifrar uma palavra escrita fora da pauta — e o que se lê com esforço se lê com má vontade. Custo do traço reto: um segundo.
2. Rabiscar até o papel escurecer. A tinta atravessa e prejudica o verso.
3. Escrever a correção entre as linhas. Fica ilegível e bagunça a contagem.
Título, recuo e os detalhes que tiram ponto bobo
Título só quando o comando pede. Se o enunciado não pediu, não coloque: em várias bancas ele conta como linha escrita e não soma nada na correção. Se pediu, use uma linha só, sem ponto final, sem aspas e sem sublinhado, e faça o título dizer algo do seu texto em vez de repetir o tema da prova.
- Recuo de parágrafo: dois a três centímetros, igual em todos. É o sinal visual que mostra onde um bloco termina e outro começa.
- Linha em branco entre parágrafos: não use. O recuo já cumpre essa função e a linha vazia costuma ser cobrada do seu limite.
- Identificação: nome, assinatura, desenho ou frase solta fora do campo próprio pode ser tratado como identificação do candidato e anular a prova — inclusive o recadinho simpático para o corretor.
- Cópia do texto de apoio: trechos copiados costumam ser desconsiderados na contagem. Você escreveu 28 linhas, mas seis eram cópia: para a banca, entregou 22.
Fugir do tema e copiar o texto motivador são as duas causas mais frequentes de nota zero, bem à frente de rasura e letra ruim. Vale conhecer os erros que zeram a redação e treinar como não fugir do tema proposto usando o próprio comando da questão como roteiro.
A transcrição: separe o tempo antes de precisar dele
Copiar 30 linhas com calma leva de 12 a 15 minutos. Com pressa leva 10 e sai com palavra pulada, concordância quebrada no meio da frase e parágrafo sem recuo. Reserve esse bloco no fim e trate o horário como intocável: bateu a hora, você para o rascunho e começa a passar a limpo, esteja o texto pronto ou não.
- Anote no canto do rascunho o horário de começar a transcrever, calculado assim que receber a prova.
- Copie parágrafo por parágrafo, conferindo o recuo no começo e o número da linha no fim. Se um parágrafo estourar, corte adjetivo, não corte argumento.
- Terminada a cópia, releia só procurando palavra faltando e concordância. Não é hora de reescrever ideia.
- Nos dois minutos finais, confira o mínimo, o máximo e se não há nada escrito fora da margem.
Se a sua prova tem pouco tempo total, o roteiro de divisão do relógio está em como escrever a redação em 30 minutos. E se o problema é ficar sem o que dizer no desenvolvimento, monte antes um repertório de argumentos para redação.
O jeito mais rápido de deixar tudo isso automático é escrever com a folha real na frente: mesmo número de linhas, mesma caneta, mesmo relógio. Comece escolhendo um alvo entre os concursos com redação abertos e treine no limite dele.
Perguntas frequentes
quantas linhas tem a redação de concurso
Depende da banca e do edital. Na maioria dos editais, o mínimo fica entre 20 e 30 linhas e o máximo entre 30 e 60. O número exato aparece no edital, no comando da questão e na folha definitiva numerada. Confira o do seu concurso antes de treinar.
o rascunho da redação vale nota
Na maioria das bancas, não: corrige-se apenas a folha definitiva. O rascunho serve para testar a tese, cortar frases e organizar os parágrafos, mas o que não for transcrito não é lido. Alguns editais pedem a entrega do rascunho sem corrigi-lo; entregue mesmo assim.
o que acontece se eu passar da última linha da folha
Em geral o que ultrapassa a última linha não é lido e a correção para ali. Como o excesso acontece no fim, some justamente a conclusão. Parte dos editais também prevê desconto por exceder o máximo. Planeje terminar duas linhas antes do limite.
pode usar caneta azul ou preta na redação de concurso
Na maioria dos editais, sim: esferográfica de tinta azul ou preta, com corpo transparente. Caneta apagável, gel que borra e cores diferentes costumam ser proibidas, porque a folha é digitalizada e a imagem precisa ficar legível. Leve duas canetas iguais e não troque de cor no meio do texto.
rasura zera a redação de concurso
Não. Rasurar não anula a prova na maioria dos editais, mas trecho ilegível prejudica a nota. Faça um traço reto simples sobre a palavra errada e escreva a correta em seguida, na mesma linha. Evite corretivo, rabiscos em espiral e correções escritas entre as linhas.
preciso colocar título na redação de concurso
Só se o comando da questão pedir. Sem pedido, o título ocupa uma linha que costuma contar no seu limite e não acrescenta nada. Quando for exigido, escreva uma linha curta, sem ponto final e sem aspas, dizendo algo do seu texto em vez de repetir o tema.
posso escrever a redação em letra de forma
Sim, na maioria das bancas letra de forma e cursiva são aceitas. O critério real é legibilidade, não beleza. Mantenha as palavras separadas, ocupe a altura da linha e respeite as margens. Evite escrever tudo em maiúsculas, proibido em parte dos editais.
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