Redação para concurso

Folha de redação: quantas linhas, rascunho, letra e caneta

Quantas linhas tem a redação do seu concurso, como dividir por parágrafo, se o rascunho vale, letra, caneta e rasura sem perder ponto bobo.

12 min de leitura · atualizado em 7 de setembro de 2026 · por Equipe Edital Hoje

Folha de redação de concurso com linhas numeradas na lateral e quatro faixas coloridas marcando os blocos de parágrafo
A folha de redação de concurso vem com as linhas numeradas: a última numerada é o teto real do seu texto

Você estudou o tema, montou a tese, tem argumento na cabeça. Aí senta na cadeira, recebe a folha definitiva e trava numa dúvida que parece boba: quantas linhas eu preciso escrever mesmo? Dá para passar da última? Se eu não terminar de copiar, o rascunho salva?

Este é o lado operacional da prova, o que ninguém ensina porque parece óbvio demais para ensinar. Não é. Redação boa anulada por não atingir o mínimo de linhas acontece em algum concurso do país todo mês. Vamos resolver: mínimo e máximo, divisão por parágrafo, rascunho, letra, caneta, rasura e título. Com um aviso que se repete de propósito — na maioria dos editais funciona assim, mas confira o seu.

Quantas linhas tem a redação de concurso?

Não existe um número único valendo para o Brasil inteiro. Cada banca escolhe o seu, e ele muda de edital para edital dentro da mesma banca. Dito isso, o padrão que se repete na maioria dos editais é um mínimo entre 20 e 30 linhas e um máximo entre 30 e 60 linhas.

Folha de redação de concurso com linhas numeradas na lateral e quatro faixas coloridas marcando os blocos de parágrafo
A folha de redação de concurso vem com as linhas numeradas: a última numerada é o teto real do seu texto

Discursiva curta, de 20 a 30 linhas, é o formato mais comum. Texto longo, de 30 a 60, aparece em carreiras que exigem produção extensa. Treinar no tamanho errado é treinar errado: quem só escreveu textos de 60 linhas trava numa prova de 25, porque nunca aprendeu a cortar.

Onde esse número está escrito

  • Edital de abertura: na seção da prova discursiva, geralmente junto dos critérios de correção.
  • Comando da questão: o caderno repete o limite no dia da prova. É ele que vale.
  • Folha definitiva: vem com as linhas numeradas, e a última numerada é o seu teto físico.

Os três precisam bater; se não baterem, siga o comando do caderno e não discuta em prova. Bancas têm manias diferentes: quem faz questões do Cebraspe convive com limites curtos e contagem rígida, e quem treina com provas da FGV encontra comandos mais detalhados sobre o que o texto deve conter. O guia completo de redação para concurso mostra como ler esse comando linha a linha.

E se eu passar da última linha?
Na maioria dos editais, o que ultrapassa a última linha não é lido: a banca corrige até onde a folha permite. Como quem estoura estoura no fim, o pedaço que desaparece costuma ser a conclusão. Alguns editais ainda preveem desconto por exceder o máximo. Planeje para terminar duas linhas antes do fim, nunca em cima.

Linha começada conta como linha escrita

Escreveu três palavras na linha 21? Você tem 21 linhas, não 20. Isso ajuda no mínimo e atrapalha no máximo. Já a linha deixada em branco entre parágrafos costuma consumir espaço sem contar como texto produzido. Cole um parágrafo no outro e marque só o recuo.

Como distribuir as linhas entre os parágrafos

A dúvida verdadeira não é quantas linhas escrever, é quantas gastar em cada parte. Quem não decide isso antes escreve uma introdução de nove linhas, se empolga no primeiro argumento e chega na conclusão com duas linhas sobrando. Conclusão espremida perde nota em estrutura e em proposta.

A conta é simples: introdução e conclusão somadas ficam em torno de um terço do texto, e o resto vai para o desenvolvimento, dividido igualmente entre os argumentos. Se você domina a estrutura da dissertação argumentativa, aqui é só aritmética em cima dela.

Barra empilhada horizontal dividida em quatro segmentos de tamanhos diferentes representando as linhas de cada parágrafo mais uma folga
Distribuição de 30 linhas na folha de redação: introdução curta, dois desenvolvimentos iguais, conclusão e folga
30 linhas divididas em 4 parágrafos
Introdução — 4 a 5 linhas. Contextualiza em uma frase e apresenta a tese na outra.

Desenvolvimento 1 — 8 a 9 linhas. Tópico frasal, argumento, repertório e fechamento amarrando com a tese.

Desenvolvimento 2 — 8 a 9 linhas. Mesma arquitetura, outro ângulo do problema.

Conclusão — 5 a 6 linhas. Retoma a tese e traz a proposta com agente, ação e finalidade.

Folga — 1 a 2 linhas. Sobra proposital, porque sua letra ocupa mais espaço na definitiva do que no rascunho.

Para 20 linhas, corte proporcionalmente: 3 de introdução, 6 e 6 de desenvolvimento, 4 de conclusão, 1 de folga. Para 60, você não ganha um quinto parágrafo automaticamente — ganha espaço para aprofundar cada argumento. Parágrafo novo só entra se tiver um argumento inteiro dentro.

Introdução e conclusão são as partes que mais travam no relógio, e por isso saem curtas demais ou longas demais. Em como escrever introdução e conclusão há modelos já com a contagem de linhas.

O rascunho da redação vale alguma coisa?

Direto ao ponto: na maioria absoluta das bancas, não. Corrige-se apenas a folha definitiva, com cabeçalho, numeração e às vezes código de barras. O rascunho fica com você ou é recolhido sem leitura. Texto perfeito no rascunho e transcrição pela metade dá a nota da metade.

Folha de rascunho com rabiscos à esquerda e folha definitiva limpa à direita, com uma seta curva indicando a transcrição de uma para a outra
O rascunho da redação não é corrigido: na folha de redação definitiva só vale o que você transcrever

Isso não faz do rascunho um desperdício. Ele é o único lugar da prova onde você erra de graça: testar a tese, cortar uma frase inteira, trocar a ordem dos argumentos, descobrir que aquele repertório não encaixa. O que ele não pode é virar a prova.

Como usar o rascunho sem perder a prova nele

  1. Com tempo curto, não escreva o texto inteiro palavra por palavra: faça introdução e conclusão completas, que são as que travam, e os desenvolvimentos em tópicos com as frases-chave prontas.
  2. Não conte linhas pelo rascunho. A pauta é outra e a sua letra ocupa espaço diferente lá.
  3. Marque com um traço na margem onde cada parágrafo começa. Na transcrição você só copia, não decide mais nada.
  4. Deixe o rascunho legível para você mesmo: erro de cópia aparece na definitiva como erro de português.

Alguns editais mandam entregar o rascunho junto com a definitiva, sem que ele seja corrigido. Entregue mesmo assim. E confira o seu edital: a regra sobre rascunho costuma estar no mesmo parágrafo que fala das linhas.

Letra legível, não bonita — e a caneta certa

Nenhuma banca dá ponto por letra bonita. Todas tiram, na prática, por letra que não dá para ler, porque o que o corretor não lê ele não pontua. Se o avaliador hesita entre "social" e "sociais", você já perdeu alguma coisa ali.

  • Tamanho: ocupe a altura da linha sem invadir a de cima. Letra miúda some no escaneamento.
  • Emenda: cursiva ou de forma, tanto faz na maioria dos editais. O que importa é separar bem as palavras.
  • Maiúsculas: só onde a norma pede. Texto inteiro em caixa alta esconde erro de ortografia e é proibido em parte dos editais.
  • Margem: respeite a margem impressa dos dois lados. O que fica fora da área delimitada pode não entrar na correção.

Sobre a caneta: esferográfica de tinta azul ou preta, corpo transparente, é o que a maioria dos editais exige. Não é frescura de banca. A folha é digitalizada e corrigida na tela, então tinta clara, gel que borra e caneta apagável podem sumir ou manchar a imagem. A apagável costuma ser proibida expressamente, porque o texto desaparece com calor.

Teste a caneta antes, na velocidade de prova
Escreva 30 linhas em casa com a mesma caneta que vai levar, no ritmo em que você escreve sob pressão. Em dez minutos você descobre se ela falha, se borra quando a mão passa por cima e se a sua letra fecha demais quando o pulso cansa. Leve duas canetas da mesma cor: trocar de cor no meio do texto gera dúvida sobre autoria.

Errei uma palavra. Rasuro ou deixo passar?

Rasura não anula redação. Rasura mal feita atrapalha a leitura, e leitura atrapalhada custa ponto. Na maior parte dos editais não há penalidade explícita por rasurar, mas há por trecho ilegível. É por essa porta que o borrão entra na sua nota.

O procedimento é sempre o mesmo, e treine até virar automático: um traço reto simples sobre a palavra errada e a correta escrita na sequência, na mesma linha, no mesmo tamanho. Sem parênteses, sem espiral de rabiscos, sem corretivo.

Dois recortes ampliados de uma linha de texto: à esquerda uma palavra coberta por rabiscos em espiral que borram as linhas vizinhas, à direita a mesma palavra com um único traço reto
Rasura na folha de redação: o traço reto simples preserva a leitura, a espiral de rabiscos suja três linhas
Antes

Linha 12 da folha definitiva: o Estado deve investe investir mais em saneamento básico — só que "investe" está coberta por uma espiral de rabiscos feita com força, que espalhou tinta na linha de cima e na de baixo, e a palavra correta foi espremida acima da linha, menor que o resto.

Depois

Linha 12 da folha definitiva: o Estado deve investe investir mais em saneamento básico — com um único traço horizontal reto sobre "investe" e a palavra correta logo em seguida, dentro da linha, no mesmo tamanho das demais.

O que mudou: O traço único preserva a legibilidade das três linhas. A espiral mancha o entorno e ainda obriga o corretor a decifrar uma palavra escrita fora da pauta — e o que se lê com esforço se lê com má vontade. Custo do traço reto: um segundo.

Três coisas para nunca fazer na folha definitiva
1. Corretivo líquido ou em fita. Proibido em boa parte dos editais e péssimo na digitalização.

2. Rabiscar até o papel escurecer. A tinta atravessa e prejudica o verso.

3. Escrever a correção entre as linhas. Fica ilegível e bagunça a contagem.

Título, recuo e os detalhes que tiram ponto bobo

Título só quando o comando pede. Se o enunciado não pediu, não coloque: em várias bancas ele conta como linha escrita e não soma nada na correção. Se pediu, use uma linha só, sem ponto final, sem aspas e sem sublinhado, e faça o título dizer algo do seu texto em vez de repetir o tema da prova.

  • Recuo de parágrafo: dois a três centímetros, igual em todos. É o sinal visual que mostra onde um bloco termina e outro começa.
  • Linha em branco entre parágrafos: não use. O recuo já cumpre essa função e a linha vazia costuma ser cobrada do seu limite.
  • Identificação: nome, assinatura, desenho ou frase solta fora do campo próprio pode ser tratado como identificação do candidato e anular a prova — inclusive o recadinho simpático para o corretor.
  • Cópia do texto de apoio: trechos copiados costumam ser desconsiderados na contagem. Você escreveu 28 linhas, mas seis eram cópia: para a banca, entregou 22.

Fugir do tema e copiar o texto motivador são as duas causas mais frequentes de nota zero, bem à frente de rasura e letra ruim. Vale conhecer os erros que zeram a redação e treinar como não fugir do tema proposto usando o próprio comando da questão como roteiro.

A transcrição: separe o tempo antes de precisar dele

Copiar 30 linhas com calma leva de 12 a 15 minutos. Com pressa leva 10 e sai com palavra pulada, concordância quebrada no meio da frase e parágrafo sem recuo. Reserve esse bloco no fim e trate o horário como intocável: bateu a hora, você para o rascunho e começa a passar a limpo, esteja o texto pronto ou não.

  1. Anote no canto do rascunho o horário de começar a transcrever, calculado assim que receber a prova.
  2. Copie parágrafo por parágrafo, conferindo o recuo no começo e o número da linha no fim. Se um parágrafo estourar, corte adjetivo, não corte argumento.
  3. Terminada a cópia, releia só procurando palavra faltando e concordância. Não é hora de reescrever ideia.
  4. Nos dois minutos finais, confira o mínimo, o máximo e se não há nada escrito fora da margem.

Se a sua prova tem pouco tempo total, o roteiro de divisão do relógio está em como escrever a redação em 30 minutos. E se o problema é ficar sem o que dizer no desenvolvimento, monte antes um repertório de argumentos para redação.

O jeito mais rápido de deixar tudo isso automático é escrever com a folha real na frente: mesmo número de linhas, mesma caneta, mesmo relógio. Comece escolhendo um alvo entre os concursos com redação abertos e treine no limite dele.

Perguntas frequentes

quantas linhas tem a redação de concurso

Depende da banca e do edital. Na maioria dos editais, o mínimo fica entre 20 e 30 linhas e o máximo entre 30 e 60. O número exato aparece no edital, no comando da questão e na folha definitiva numerada. Confira o do seu concurso antes de treinar.

o rascunho da redação vale nota

Na maioria das bancas, não: corrige-se apenas a folha definitiva. O rascunho serve para testar a tese, cortar frases e organizar os parágrafos, mas o que não for transcrito não é lido. Alguns editais pedem a entrega do rascunho sem corrigi-lo; entregue mesmo assim.

o que acontece se eu passar da última linha da folha

Em geral o que ultrapassa a última linha não é lido e a correção para ali. Como o excesso acontece no fim, some justamente a conclusão. Parte dos editais também prevê desconto por exceder o máximo. Planeje terminar duas linhas antes do limite.

pode usar caneta azul ou preta na redação de concurso

Na maioria dos editais, sim: esferográfica de tinta azul ou preta, com corpo transparente. Caneta apagável, gel que borra e cores diferentes costumam ser proibidas, porque a folha é digitalizada e a imagem precisa ficar legível. Leve duas canetas iguais e não troque de cor no meio do texto.

rasura zera a redação de concurso

Não. Rasurar não anula a prova na maioria dos editais, mas trecho ilegível prejudica a nota. Faça um traço reto simples sobre a palavra errada e escreva a correta em seguida, na mesma linha. Evite corretivo, rabiscos em espiral e correções escritas entre as linhas.

preciso colocar título na redação de concurso

Só se o comando da questão pedir. Sem pedido, o título ocupa uma linha que costuma contar no seu limite e não acrescenta nada. Quando for exigido, escreva uma linha curta, sem ponto final e sem aspas, dizendo algo do seu texto em vez de repetir o tema.

posso escrever a redação em letra de forma

Sim, na maioria das bancas letra de forma e cursiva são aceitas. O critério real é legibilidade, não beleza. Mantenha as palavras separadas, ocupe a altura da linha e respeite as margens. Evite escrever tudo em maiúsculas, proibido em parte dos editais.

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Conteúdo original da Equipe Edital Hoje, escrito para concursos públicos brasileiros. Critérios de correção variam por banca e por edital: confira sempre o edital do seu concurso. Última revisão em 7 de setembro de 2026.