Você olha o relógio, faltam 40 minutos de prova e a folha de redação ainda está em branco. Aí escreve correndo, sem plano, e entrega um texto que não é o seu: é o que deu tempo. Esse é o jeito mais comum de perder pontos numa discursiva, e quase nunca é por falta de conteúdo. É por falta de decisão sobre o tempo.
A redação disputa cada minuto com a prova objetiva. Quem não decide antes quanto tempo vai dar para cada parte costuma perder as duas. Aqui você recebe um cronômetro fechado (3 minutos de leitura, 7 de planejamento, 15 de escrita e 5 de revisão), o critério honesto para escolher a ordem das provas e um treino de quatro semanas para sair de 60 para 30 minutos.
Por que o tempo da redação sempre some?
A objetiva tem um efeito hipnótico. Cada questão parece que vai cair rápido, você sempre acha que dá para resolver mais uma, e a redação fica para depois. Só que ela precisa de um bloco contínuo de tempo, com a cabeça limpa, e é exatamente esse bloco que a objetiva come primeiro.
Existe uma diferença cruel entre as duas provas. Na objetiva, chutar ainda rende alguma coisa. Na discursiva, uma folha pela metade vale quase nada, e um texto sem conclusão costuma entrar na lista dos erros que derrubam a nota antes mesmo de alguém avaliar o seu argumento.
Por isso a primeira decisão não é sobre estilo nem sobre repertório. É sobre relógio. Quanto tempo a sua redação vai ter, decidido antes de entrar na sala, anotado no papel e obedecido mesmo que a questão 42 esteja quase saindo.
O cronômetro dos 30 minutos: 3, 7, 15 e 5
Trinta minutos parecem pouco até você quebrá-los em quatro tarefas com hora marcada. O que cansa numa redação não é escrever, é decidir enquanto escreve. Quando cada bloco tem uma função única, a decisão já está tomada e a mão só executa.
- 3 minutos, leitura da proposta. Leia o comando duas vezes e sublinhe os verbos: analisar, propor, comparar, posicionar-se. Marque também o recorte (onde, para quem, em que contexto). Esses 180 segundos são o seguro contra escrever um texto ótimo sobre a pergunta errada.
- 7 minutos, planejamento. Tese em uma frase, dois argumentos em tópicos, um exemplo para cada um e a ideia do fechamento. Nada de frase pronta aqui: só palavras-chave, no rascunho, em letra sua mesmo.
- 15 minutos, escrita. Direto na folha definitiva, seguindo o plano, sem voltar para trás. Introdução curta, dois parágrafos de desenvolvimento parecidos em tamanho, conclusão fechando o que a tese prometeu.
- 5 minutos, revisão focada. Não é reler por prazer. É caçar quatro coisas específicas: concordância, repetição, limite de linhas e qualquer marca que identifique você na folha.
Repare que planejar leva quase metade do tempo de escrever. Não é desperdício. Um texto planejado sai de uma vez; um texto sem plano trava no terceiro parágrafo, e cada trava custa mais caro do que os 7 minutos economizados. Se a base ainda te derruba antes do relógio, vale passar pelo guia completo de redação para concurso e só depois cronometrar.
Faço a redação antes ou depois da objetiva?
Depende de uma coisa só: onde está o seu risco maior. Se você costuma ficar sem tempo para escrever, faça a redação primeiro. Se você escreve bem, mas erra questões por pressa no fim, faça a objetiva primeiro. Escolha antes da prova e não mude dentro da sala, porque mudar de plano no meio é o que faz perder as duas.
Redação primeiro
- A favor: cabeça descansada, letra legível e a garantia de que a folha definitiva não vai ficar pela metade.
- A favor: você entra na objetiva sem aquele peso de saber que ainda falta escrever, e erra menos por ansiedade.
- Contra: escreve antes de ver as questões, e às vezes a própria objetiva traz um dado ou um conceito que serviria de repertório.
- Contra: se o tema assustar, o susto contamina as horas seguintes de objetiva.
Objetiva primeiro
- A favor: você garante os pontos que dependem de tempo bruto e ainda pega ideias no caminho para usar no texto.
- A favor: o cérebro entra aquecido na redação, já pensando em direito, administração, atualidades.
- Contra: é o caminho que mais produz redação incompleta, porque a objetiva sempre pede mais um minuto.
- Contra: você escreve cansado, e cansaço aparece na letra, na pontuação e na concordância.
Existe um meio-termo que funciona para a maioria: leia a proposta nos 3 primeiros minutos, deixe o tema fervendo em segundo plano, resolva a objetiva e volte a escrever no horário reservado.
Como são os 7 minutos de planejamento na prática
Sete minutos parecem muito para escrever cinco linhas de tópico. É exatamente esse o ponto: você não está escrevendo, está decidindo. Precisa sair daí com quatro respostas prontas: qual é a sua tese, quais são os dois argumentos, que exemplo entra em cada um e como o texto termina.
Tese (uma frase): a tecnologia pode ser usada, desde que haja regra clara de acesso, prazo de descarte das imagens e responsabilidade de quem opera.
Argumento 1, eficiência sem controle vira vigilância: identificação mais rápida, mas sem registro de quem consultou o banco, ninguém responde por abuso.
Argumento 2, erro que recai sempre sobre os mesmos: falso positivo gera abordagem indevida e concentra o custo em quem já é mais parado na rua.
Fechamento: retomar a tese e propor regra de uso, auditoria externa e prazo de eliminação dos dados.
Conectivos que vou usar: em primeiro lugar, além disso, por outro lado, portanto.
Isso cabe em meia página de rascunho e resolve os 15 minutos seguintes. Se você trava justamente na hora de achar exemplo, o problema não é tempo: é repertório separado com antecedência. Quem entra na sala com três ou quatro repertórios de temas quentes planeja em quatro minutos, não em sete.
Antes de escrever a primeira linha, confira se a sua tese responde exatamente ao comando que você sublinhou. Um plano bonito sobre o assunto vizinho é o caminho mais rápido para fugir do tema com elegância e perder a prova toda.
15 minutos escrevendo: rascunho curto ou direto na folha?
Rascunho completo é luxo de quem tem 60 minutos. Em 30, você não escreve o texto duas vezes, não dá. O rascunho vira o seu plano em tópicos e a redação sai direto na folha definitiva.
Isso assusta menos do que parece quando a estrutura já está decidida. Com a estrutura da dissertação argumentativa na cabeça, você sabe quantas linhas cada parágrafo vai ocupar antes de começar. E se a sua banca exige transcrição com margem apertada, entenda antes como funciona a folha definitiva e o uso do rascunho, porque descobrir isso na hora custa minutos que você não tem.
Escreva sem voltar. Errou uma palavra? Um traço em cima e segue. A frase saiu comprida? Deixa. Os 5 minutos de revisão existem para isso. Corrigir a cada linha é o que transforma 15 minutos de escrita em 25. Com introdução e conclusão já ensaiadas em casa, a abertura sai em dois minutos e sobra tempo para o miolo.
O reconhecimento facial é um assunto que vem sendo muito discutido nos dias atuais em diversas cidades brasileiras, e pode acabar gerando uma série de problemas e consequências para a sociedade como um todo, o que demonstra a necessidade de uma reflexão mais profunda a respeito desse tema tão relevante da atualidade.
O reconhecimento facial já opera em cidades brasileiras sem regra clara sobre quem consulta as imagens e por quanto tempo elas ficam guardadas. Sem esse controle, uma ferramenta de investigação se transforma em vigilância permanente sobre quem nunca foi investigado.
O que mudou: Saíram nos dias atuais, como um todo e tema tão relevante: palavras que ocupam linha e não afirmam nada. No lugar entrou informação, o que acontece, o que falta e qual o risco. O parágrafo perdeu quase 20 palavras e ganhou uma tese. Na pressa a gente escreve o de cima; na revisão dá para chegar perto do de baixo só cortando enfeite.
Os 5 minutos de revisão que mais salvam nota
Cinco minutos não dão para reescrever. Dão para caçar quatro coisas específicas, e por isso a revisão precisa de lista. Reler o texto inteiro só para ver se está bom é o pior uso possível desse tempo, porque você vai gostar do que escreveu e não vai enxergar nada.
- Concordância e regência. Passe o olho só nos verbos e nos sujeitos longos. Sujeito distante do verbo é onde mora a maioria dos escorregões de pressa.
- Repetição. Circule a palavra que se repete no mesmo parágrafo e troque uma delas por um sinônimo simples ou por um pronome. Não invente palavra difícil na revisão.
- Linhas e limites. Confirme o mínimo e o máximo. Passar do limite pode significar corte do trecho excedente e uma conclusão que some.
- Identificação e marcas. Nome, assinatura, rabisco, desenho, bilhete para o corretor: qualquer um deles pode zerar a prova, mesmo com o texto perfeito.
Como sair de 60 para 30 minutos em 4 semanas
Ninguém escreve em 30 minutos na primeira tentativa. Você chega lá cortando o tempo aos poucos, sempre com o cronômetro ligado, uma redação por semana no mínimo, duas se der.
- Semana 1, 60 minutos com cronômetro visível. Escreva do jeito que você escreve hoje, mas anote quanto tempo gastou em cada bloco. O objetivo não é acelerar, é descobrir onde o seu tempo vaza: quase sempre é no planejamento que vira redação disfarçada.
- Semana 2, 45 minutos e planejamento cronometrado. Trave o planejamento em 8 minutos, doa a quem doer. Acabou o tempo, começa a escrita com o plano que estiver na folha, mesmo incompleto.
- Semana 3, 35 minutos e sem rascunho completo. Só tópicos no rascunho e escrita direto na folha pautada. É aqui que a maioria descobre que conseguia o tempo todo, só não confiava.
- Semana 4, 30 minutos em condição de prova. Mesa limpa, caneta da cor exigida, folha com o número de linhas da sua banca, celular longe. Uma proposta que você nunca viu, aberta na hora.
Duas regras fazem esse treino funcionar. Escreva à mão, no número de linhas da sua banca, porque velocidade de digitação não serve de nada na sala. E nunca pare o cronômetro: terminar um texto mediano dentro do tempo ensina mais do que terminar um ótimo com 10 minutos extras que você não vai ter.
Treine com o tipo de proposta que a sua banca usa de verdade. Uma discursiva de 30 linhas com texto motivador não se planeja igual a uma resposta dividida em itens obrigatórios: a discursiva do Cebraspe costuma numerar o que precisa aparecer, enquanto as propostas da FGV cobram posicionamento e proposta bem amarrados. Confira o formato no edital do seu concurso antes de fixar o seu cronômetro.
Ainda não escolheu o alvo? Filtre os editais abertos hoje pelos cargos que combinam com a sua rotina e adapte o treino ao formato da prova que vem aí.
Perguntas frequentes
quanto tempo para fazer a redação no concurso
Reserve entre 30 e 60 minutos, conforme o tempo total da prova. Trinta minutos é o piso seguro para uma dissertação de 25 a 30 linhas: 3 de leitura, 7 de planejamento, 15 de escrita e 5 de revisão. Se o seu edital der prova em dia separado, use 60 e escreva com mais folga.
dá para fazer uma redação boa em 30 minutos?
Dá, desde que o planejamento aconteça antes da escrita e não durante. O que trava o candidato não é a mão, é a decisão: tese, argumentos e exemplos. Com esses três definidos em sete minutos, escrever 30 linhas em 15 minutos é confortável para quem treinou à mão pelo menos quatro vezes.
é melhor fazer a redação antes ou depois da prova objetiva?
Depende do seu risco. Se você costuma ficar sem tempo, escreva primeiro e garanta a folha completa. Se erra questões por pressa no fim, resolva a objetiva antes. O meio-termo é ler a proposta nos primeiros minutos, fazer a objetiva e voltar para escrever no horário reservado, sem improviso.
preciso fazer rascunho da redação?
Rascunho completo, não. Em 30 minutos você não copia o texto duas vezes. Use o rascunho só para o plano em tópicos, com tese, dois argumentos, exemplos e fechamento, e escreva direto na folha definitiva. Se a sua banca exigir transcrição obrigatória, confira o tempo previsto no edital.
quantas linhas dá para escrever em 15 minutos?
Com o plano pronto, a maioria escreve de 25 a 30 linhas em 15 minutos, o tamanho pedido pela maior parte das bancas. Sem plano, esse mesmo trecho leva 25 minutos ou mais, porque cada parada para pensar custa entre 30 e 60 segundos e elas se acumulam.
como treinar para fazer redação rápido?
Cronometre desde a primeira redação e corte o tempo por semana: 60, depois 45, depois 35 e por fim 30 minutos. Escreva à mão, no número de linhas da sua banca, com uma proposta que você nunca viu. Nunca pare o cronômetro no meio, mesmo que o texto esteja saindo ruim.
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9 min de leituraConteúdo original da Equipe Edital Hoje, escrito para concursos públicos brasileiros. Critérios de correção variam por banca e por edital: confira sempre o edital do seu concurso. Última revisão em 7 de setembro de 2026.