
Você escreve um texto limpo, sem erro de português, com introdução, desenvolvimento e conclusão no lugar. A nota volta baixa. E vem aquela sensação de que a banca implicou com você.
Na FGV isso é rotina justamente entre quem escreve bem. O problema quase nunca é gramática: é que o texto responde a um tema parecido com o que foi pedido, e não exatamente ao que foi pedido. Aqui você vai ver o perfil da banca em termos gerais, como transformar o comando da proposta em um recorte fechado e como encaixar a estrutura que você já conhece no jeito FGV de cobrar. Com exemplo de tema, planejamento em tópicos e um parágrafo reescrito na sua frente.
Por que a redação da FGV parece mais difícil que as outras?

Porque ela não pede que você fale sobre um assunto. Ela pede que você responda a uma pergunta específica dentro do assunto. São coisas diferentes, e a segunda é bem mais estreita.
As propostas da FGV costumam vir com textos motivadores — trechos de reportagem, dados, uma citação, às vezes um gráfico — seguidos de um comando que delimita o que você tem que discutir. O candidato lê os motivadores, sente que entendeu o tema e escreve sobre o tema. O comando, que era o que valia, fica de fora. Se isso é o seu ponto fraco, o caminho começa no guia de redação para concurso e passa por não fugir do tema na hora da prova.
Outra característica do estilo: a extensão costuma ser curta em relação ao que se pede. Poucas linhas para uma discussão fechada. Isso significa que não sobra espaço para aquecimento. Aquele parágrafo de introdução genérico que serve para qualquer tema, na FGV, é linha jogada fora.
Como a FGV corrige a redação, em termos gerais
Ninguém de fora da banca sabe o peso exato de cada item, e desconfie de quem disser que sabe. O que dá para afirmar com segurança é o perfil consagrado da FGV, aquilo que aparece de forma consistente nos espelhos de correção e nos editais: uma correção que olha o conteúdo com tanto rigor quanto a forma.
O que a FGV tende a valorizar
- Recorte preciso: o texto discute exatamente o que o comando pediu, nem mais nem menos.
- Argumentação encadeada: um parágrafo puxa o seguinte; a tese não fica só declarada, ela é sustentada.
- Domínio da norma culta: pontuação, regência, concordância e paralelismo funcionando sem tropeço.
- Precisão vocabular: a palavra certa no lugar certo, sem rodeio nem inflação de adjetivo.
- Uso produtivo dos textos motivadores: você dialoga com o material, não o copia nem o ignora.
O que costuma derrubar a nota
- Senso comum: frases que qualquer pessoa escreveria sem ter lido a proposta.
- Cópia dos motivadores: transcrever ou parafrasear de perto o texto de apoio ocupa linha e não conta como argumento seu.
- Tema tratado por fora: você fala do assunto, mas não responde à pergunta.
- Argumento que não anda: três parágrafos repetindo a mesma ideia com palavras diferentes.
- Erro gramatical recorrente: um deslize passa; o mesmo erro em cinco linhas vira padrão aos olhos do corretor.
O recorte: é aqui que a maioria perde ponto

Recorte é o pedaço do assunto que a proposta autoriza você a discutir. E ele quase sempre está escondido em duas ou três palavras do comando: um verbo (avalie, posicione-se, proponha), um limitador (no âmbito federal, na perspectiva do usuário) e uma pergunta implícita.
- Leia o comando antes dos textos motivadores. Assim você lê o apoio procurando algo, e não passeando.
- Sublinhe o verbo do comando. Ele diz o que o corretor espera encontrar: uma avaliação, uma posição, uma proposta.
- Sublinhe o limitador. Se a proposta fala em serviço público municipal, discutir política nacional já é meio texto fora.
- Escreva no rascunho, em uma linha, a pergunta que o comando faz. Sua tese é a resposta direta a essa linha.
- Antes de passar a limpo, releia a pergunta e confira se cada parágrafo ajuda a respondê-la. O que não ajuda, sai.
A tecnologia mudou profundamente a sociedade contemporânea e trouxe inúmeros benefícios, mas também gerou problemas que precisam ser enfrentados. Nesse sentido, é necessário que o poder público, a sociedade e a família façam a sua parte, pois só assim teremos um país mais justo para todos os cidadãos brasileiros.
A digitalização dos serviços públicos encurtou filas para quem tem celular, dado móvel e biometria legível. Para quem não tem, ela criou uma fila invisível: o cidadão passou a ter de provar que existe antes de pedir o que lhe é devido. O impasse, portanto, não está na tecnologia, e sim na ausência de um canal presencial de retaguarda para a parcela da população que ela não alcança.
O que mudou: O primeiro parágrafo serve para qualquer tema de qualquer ano — e é exatamente isso que o corretor identifica como senso comum. O segundo cabe em um tema só: ele nomeia o serviço, nomeia quem fica de fora, nomeia o mecanismo da exclusão e já entrega a tese na última frase. Mesmo número de linhas, densidade completamente diferente.
Repare que o texto reescrito não usou nenhuma palavra difícil. Ele só trocou abstração por objeto. Sempre que uma frase sua puder ser colada em outra redação sem alteração, ela é candidata a ser cortada.
Um tema por semana, com modelo comentado
Recorte é habilidade de repetição: você não aprende lendo sobre, aprende errando em cinco temas seguidos e vendo onde o texto escorregou.
A estrutura de sempre, adaptada ao jeito FGV

Você não precisa de uma estrutura nova. A estrutura da dissertação argumentativa continua valendo: introdução, dois ou três parágrafos de desenvolvimento, conclusão. O que muda é a proporção e o ritmo.
Tese explícita, e cedo
Na FGV, a tese não pode aparecer só no terceiro parágrafo. Ponha a sua posição na última frase da introdução, em uma oração afirmativa, sem "pode-se dizer que" nem "é evidente que". O corretor precisa saber onde você está antes de avaliar como você chegou lá. Se a abertura te trava, vale destrinchar como escrever introdução e conclusão com calma.
Progressão, não repetição
Cada parágrafo de desenvolvimento tem que acrescentar algo que o anterior não tinha. Um jeito simples de testar: resuma cada parágrafo em três palavras no rascunho. Se dois resumos saírem parecidos, um dos parágrafos é enfeite.
- Parágrafo 1: o argumento mais forte, com o dado ou o exemplo mais concreto que você tiver.
- Parágrafo 2: o outro lado, a consequência ou o obstáculo — algo que complique o que você disse antes.
- Parágrafo 3 (se houver espaço): o encaminhamento, quem faz o quê e com qual limite.
Conclusão que amarra, não que resume
Conclusão fraca é a que repete a introdução com sinônimos. Conclusão forte retoma a pergunta do comando e responde com o que o texto construiu no meio do caminho — de preferência apontando um limite, uma condição ou um responsável. Se o comando pedia proposta, a proposta mora aqui, com agente e meio, não em forma de desejo.
Falta de tempo estraga esse encadeamento mais do que falta de repertório. Se você costuma chegar sem fôlego no último parágrafo, ajuste o relógio primeiro: veja como escrever a redação em 30 minutos sem sacrificar a conclusão.
Um tema no estilo FGV e o planejamento em tópicos
Este tema não é de uma prova específica — é um tema no estilo da FGV, montado com a cara das propostas da banca: assunto de administração pública, comando com verbo de posicionamento e um limitador que fecha o recorte.
Rascunho, 4 minutos:
- Palavra que fecha o recorte: "até onde vai o dever". O texto tem que estabelecer um limite — não elogiar nem condenar a digitalização.
- Pergunta em uma linha: o Estado pode encerrar o canal presencial quando o digital funciona para a maioria?
- Tese: não; o canal presencial deixa de ser regra e passa a ser retaguarda obrigatória enquanto houver cidadão que o serviço digital não alcança.
- Argumento 1: o serviço público é universal por definição; eficiência que exclui parte do público não é eficiência, é seleção.
- Argumento 2: o obstáculo real não é vontade, é custo — daí a saída ser retaguarda mínima e itinerante, não uma agência em cada bairro.
- Conclusão: o limite do dever é a existência de demanda não atendida pelo digital, medida e publicada pelo próprio órgão.
- O que NÃO entra: história da internet no Brasil, elogio à tecnologia, "cabe à família e à escola".

Olhe o tempo que esse rascunho leva: quatro minutos. E olhe o que ele já resolveu — tese, ordem dos argumentos, conclusão e, principalmente, a lista do que fica de fora. Escrever fica mecânico depois disso.
Os erros que mais custam caro numa discursiva FGV
- Começar pela humanidade. "Desde os primórdios da civilização" avisa ao corretor que você não tinha o que dizer sobre o recorte.
- Repertório decorado fora de lugar. Citar um autor que não conversa com o comando pesa contra. Repertório serve para sustentar argumento; escolher bem é assunto de como montar repertório para a redação.
- Devolver o texto de apoio. Parafrasear o motivador parágrafo a parágrafo entrega um resumo, não uma dissertação.
- Proposta genérica. "O governo deve investir mais" não tem agente, meio nem limite — é desejo, não encaminhamento.
- Perder o fio no meio. Trocar de assunto entre o segundo e o terceiro parágrafo derruba a progressão que a banca valoriza.
- Deslizes que passam do limite. Vale conferir a lista dos erros que zeram a redação antes de qualquer prova.
Nenhum desses erros aparece em quem escreve pouco. Todos aparecem em quem escreve muito e não planeja. É por isso que o rascunho em tópicos vale mais do que uma hora de leitura sobre coesão.
Como treinar para chegar perto da nota máxima
Redação FGV nota máxima não é um texto brilhante: é um texto que não dá ao corretor nenhum motivo para tirar ponto. Isso se constrói com repetição dirigida, não com inspiração.
- Escreva um texto por semana, sempre cronometrado e sempre com a folha de linhas do seu concurso à frente.
- Corrija com a grade do edital, item por item, dando nota a si mesmo antes de olhar qualquer modelo.
- Refaça só a introdução do texto da semana anterior. É o parágrafo com maior retorno por minuto investido.
- Leia a prova objetiva da própria banca. As questões da FGV mostram o vocabulário, os temas de interesse e o jeito de recortar assunto que reaparecem na discursiva.
- Estude um texto nota alta por semana com os comentários trecho a trecho, como nesta redação nota máxima comentada.
Vale também mapear onde a discursiva está caindo agora: dá para filtrar os concursos com redação abertos e treinar com o tipo de proposta que você vai encontrar de verdade nos próximos meses, em vez de escrever no vazio.
E se o seu problema hoje é volume — poucos temas, pouca correção, pouca questão da banca certa —, é exatamente isso que a plataforma resolve: cadernos por banca, temas com modelo e o Mentor Digital montando a semana. Dá para começar treinando com questões reais hoje mesmo.
Perguntas frequentes
como a FGV corrige a redação
A FGV avalia conteúdo e forma com o mesmo rigor: recorte fiel ao comando, argumentação que progride, domínio da norma culta e precisão no vocabulário. Senso comum, cópia dos textos motivadores e fuga parcial do tema derrubam a nota. Os itens exatos e a pontuação de cada um mudam de concurso para concurso, então confira os critérios no edital do seu concurso antes de treinar.
qual o tamanho da redação da FGV
Costuma ser curta em relação ao que se pede, com limite de linhas definido no edital de cada concurso. Trate o mínimo como piso e o máximo como teto real: escrever menos que o mínimo costuma zerar e passar do máximo faz o excedente ser desconsiderado. Como o espaço é apertado, corte toda frase de aquecimento e vá direto ao recorte.
a FGV cobra proposta de intervenção como o Enem
Nem sempre. Só entregue proposta quando o comando pedir, com verbos como proponha, sugira ou apresente medidas. Quando pedir, a proposta precisa de agente, meio e limite — nada de "o governo deve investir mais". Se o comando só pede que você avalie ou se posicione, uma proposta genérica no fim ocupa linhas sem somar ponto.
o que é fugir do tema na discursiva FGV
É escrever sobre o assunto geral em vez de responder à pergunta do comando. Falar de tecnologia quando a proposta pedia o limite do dever do Estado é fuga parcial, mesmo com um texto bem escrito. Por isso vale sublinhar o verbo e o limitador do comando e transformá-los em uma pergunta de uma linha no rascunho.
quanto tempo dedicar ao rascunho na prova da FGV
De quatro a seis minutos bastam para listar em tópicos a tese, a ordem dos argumentos, a conclusão e o que fica de fora. Não rascunhe o texto inteiro: você não terá tempo de copiar. Planeje em tópicos, escreva direto na folha definitiva e reserve os últimos minutos para reler a pontuação e a concordância.
como treinar redação para concurso da FGV
Escreva um texto por semana cronometrado, corrija com a grade do edital, refaça a introdução da semana anterior e resolva questões da própria banca para pegar o vocabulário e os temas recorrentes. Estudar textos nota alta com comentário trecho a trecho acelera bastante, porque mostra a função de cada parágrafo em vez de só o resultado final.
Continue lendo
Redação para concursoRedação para concurso: o guia de quem está começando do zero
Como a redação é cobrada, o que o corretor procura, a estrutura em 4 parágrafos e uma rotina de 30 dias para escrever bem em qualquer banca.
12 min de leitura
Redação para concursoEstrutura da dissertação argumentativa: um tema real montado do zero
Veja a estrutura da dissertação argumentativa funcionando: cada parágrafo escrito na sua frente, frase por frase, com a função de cada uma explicada.
9 min de leitura
Redação para concursoComo não fugir do tema na redação: 4 passos para ler a proposta certo
Fuga ao tema quase nunca é ignorância: é leitura apressada. Veja o método de 4 passos para interpretar a proposta em 3 minutos e escrever dentro do recorte.
9 min de leitura
Redação para concursoDiscursiva do Cebraspe: como responder cada quesito sem perder ponto
Aprenda a achar os quesitos no comando do Cebraspe, planejar um parágrafo para cada um e sinalizar a resposta. Com tema de exemplo e antes e depois.
9 min de leitura
Redação para concursoRedação da Vunesp: como usar a coletânea e escrever sem copiar
Entenda como é a redação da Vunesp, use a coletânea de textos de apoio como pista sem copiar e planeje um tema no estilo da banca em oito minutos.
9 min de leituraConteúdo original da Equipe Edital Hoje, escrito para concursos públicos brasileiros. Critérios de correção variam por banca e por edital: confira sempre o edital do seu concurso. Última revisão em 7 de setembro de 2026.