
Duas pessoas estudam o mesmo conteúdo, com o mesmo empenho, durante os mesmos seis meses. Uma vai fazer uma prova de cinco alternativas; a outra, uma prova de julgar afirmações soltas como certas ou erradas. Se as duas treinaram igual, uma das duas vai levar um susto no dia.
O formato do item não é detalhe de diagramação: ele decide o que conta como "saber" a matéria. Numa prova você precisa reconhecer a melhor entre opções; na outra, precisa saber onde a regra termina, sem ninguém do lado para comparar. Abaixo, o que cada formato cobra, o que muda na sua mesa de estudo e como treinar a parte que ninguém treina, que é a decisão.
Qual formato vai cair na sua prova?
Primeiro, o retrato real. Das vinte bancas com página publicada aqui, dezoito descrevem múltipla escolha como formato principal, quase sempre de A a E — algumas com quatro alternativas. Múltipla escolha é o padrão do país, e é por isso que quase todo material de estudo pressupõe esse formato sem dizer.

- Cebraspe — certo ou errado predominante, com blocos de múltipla escolha em parte das provas.
- Quadrix — certo ou errado e múltipla escolha de quatro alternativas, muitas vezes na mesma prova.
- FEPESE — múltipla escolha de A a E, e parte das provas com item de somar afirmações corretas.
- As demais — múltipla escolha, com quatro ou cinco alternativas.
Antes de montar qualquer rotina, confirme no edital do seu concurso qual é o formato, quantas alternativas tem cada questão e como funciona a pontuação. Essa informação está sempre no capítulo das provas, e ela vale mais do que qualquer conselho genérico. A lista do que está aberto agora fica em editais abertos hoje, e o perfil de cada organizadora, em questões por banca e por matéria.
Por que o item de certo ou errado é outro jogo
Numa questão de cinco alternativas, você elimina duas ou três absurdas e decide entre as que sobraram. Essa eliminação é uma muleta poderosa: ela permite acertar sabendo menos do que a questão pede, porque as erradas entregam pistas sobre a certa.
No item de certo ou errado, a muleta some. A afirmação está sozinha na sua frente e você precisa dizer se ela é verdadeira, sem nada para comparar. Isso desloca o estudo do reconhecimento para a certeza: não basta lembrar que o assunto existe, você precisa saber onde termina a regra e qual é a exceção.
Muda também o que você anota depois de errar. Em múltipla escolha, o erro vira "confundi a B com a C". No certo ou errado, vira "não sei até onde essa regra vale" — e essa segunda frase é infinitamente mais útil na revisão, porque ela descreve o buraco em vez de descrever a confusão. É o tipo de linha que a leitura atenta do gabarito comentado produz.
O que a múltipla escolha cobra que o certo ou errado não cobra
Comparação fina. O trabalho central da múltipla escolha bem feita é achar a diferença entre duas alternativas quase idênticas, e essa é uma habilidade própria — quem só treina afirmação solta chega despreparado para ela.
Veja o que uma banca faz com a Lei 9.784/1999: a alternativa certa diz que o direito da Administração de anular atos que geram efeitos favoráveis ao destinatário decai no prazo da lei, contado da prática do ato, salvo má-fé comprovada. A distratora mais bem feita troca "decai" por "prescreve" e mantém todo o resto palavra por palavra. Uma terceira mexe no marco inicial. Uma quarta inverte a exceção. Você não decide isso pela lembrança geral do assunto: decide lendo as quatro lado a lado e nomeando o que muda em cada uma. O prazo exato você confere na lei.
- Leia todas as alternativas antes de marcar, mesmo achando a certa na letra A. Em múltipla escolha, "mais correta" existe.
- Nomeie a diferença entre as duas finalistas em voz baixa, com uma palavra: prazo, sujeito, exceção, verbo.
- Desconfie da alternativa mais longa e completa só na medida certa — ela às vezes é a certa justamente por incluir a ressalva.
- Volte ao comando antes de marcar: a pergunta era a correta ou a incorreta?
Esse último ponto derruba gente boa toda semana. Há banca cuja pegadinha declarada é exatamente inverter o comando com um "assinale a INCORRETA" no meio de um bloco de questões que pediam a correta. Conteúdo não salva quem lê o enunciado no automático — treinar em questões de direito constitucional e nas demais matérias do seu edital é o que cria o hábito de reler o comando.
O que muda na sua mesa de estudo
O conteúdo é o mesmo; o formato do seu material de revisão é que precisa mudar. Quem vai fazer prova de certo ou errado estuda por afirmações julgáveis. Quem vai fazer múltipla escolha estuda por contrastes.
Se a sua prova é de certo ou errado
- Transforme cada trecho de lei em uma frase que dê para julgar, e escreva também a versão falsa dela.
- Anote a exceção com o mesmo destaque que você dá à regra: no julgamento, a exceção é que decide.
- Mantenha uma lista de palavras de fechamento — sempre, nunca, somente, apenas, exclusivamente, em nenhuma hipótese — e uma de abertura: em regra, poderá, salvo disposição em contrário.
- Marque separadamente os itens que você acertou por sorte. Eles são o erro da próxima prova.
Se a sua prova é de múltipla escolha
- Estude em pares que se confundem: decadência e prescrição, dispensa e inexigibilidade, anulação e revogação, competência privativa e concorrente.
- Para cada par, escreva a frase que separa os dois. Uma frase, não um parágrafo.
- Depois de resolver, releia as alternativas erradas e marque qual palavra as tornou erradas.
- Treine o tempo de leitura: enunciado longo com texto de apoio consome mais relógio do que você imagina.

Sei, acho, não faço ideia: o treino que ninguém faz
Aqui está a parte que vale mais em prova de certo ou errado e que quase ninguém treina em casa: decidir. Antes de ver o gabarito, marque cada questão com um dos três sinais. Depois, calcule o seu acerto dentro de cada grupo, separadamente.
- Sei — responda e siga em frente. Se você errar muito aqui, o problema é conteúdo, e nenhuma estratégia de prova resolve.
- Acho — é o grupo que decide a sua prova. Se o seu acerto nele for consistentemente alto ao longo de várias sessões, o palpite é um ativo. Se for próximo do acaso, é um passivo.
- Não faço ideia — a decisão de marcar ou deixar em branco depende do que o edital diz sobre pontuação, e você precisa ter descoberto isso em casa, não no dia.
A graça do método é que ele funciona em qualquer formato, mas o retorno é maior no certo ou errado, porque lá o palpite não deixa rastro: você marca C ou E e parece que sabia. O sinal é o que impede o acerto por sorte de se disfarçar de domínio no seu diagnóstico. Quantas questões dá para fazer assim por dia é outra conta — está em quantas questões por dia analisar.
Sobre pontuação, só o mecanismo, sem fórmula: no certo ou errado, item marcado errado não equivale a item em branco, e a regra exata vem no edital de cada concurso. Leia esse capítulo antes de decidir a sua política de chute, e não copie a política de ninguém — ela depende do seu acerto no grupo "acho", que é pessoal.
E a prova que mistura os dois formatos?
Existe, e é mais comum do que parece. As questões do Cebraspe são de certo ou errado predominante com blocos de múltipla escolha em parte das provas. A banca Quadrix coloca os dois formatos muitas vezes no mesmo caderno. A banca FEPESE tem ainda um terceiro tipo, o item de somar afirmações corretas, em que um único item verdadeiro isolado muda a soma da resposta final.
Prova misturada exige uma coisa a mais: trocar de modo de leitura no meio do caderno, sem perder o ritmo. É um treino específico e simples de montar — faça sessões híbridas, com um bloco de cada formato seguidos, em vez de treinar sempre num formato só. O objetivo não é o conteúdo, é a troca de marcha.
Escolher a banca certa para treinar formato, antes mesmo do conteúdo, é a decisão tratada em quando ligar o filtro por banca. E o mapa inteiro dessa mecânica — da escolha da fonte ao simulado cronometrado — está no guia de estudar com questões.
Perguntas frequentes
qual a diferença entre certo ou errado e múltipla escolha
No item de certo ou errado você julga uma afirmação sozinha, sem alternativas para comparar, e precisa saber onde a regra termina. Na múltipla escolha você escolhe entre opções, o que permite eliminar as absurdas e decidir por contraste. O conteúdo é o mesmo; o que muda é a habilidade cobrada.
quais bancas usam certo ou errado
Entre as vinte bancas com página publicada aqui, o Cebraspe é a de certo ou errado predominante, com blocos de múltipla escolha em parte das provas, e a Quadrix mistura os dois formatos, muitas vezes no mesmo caderno. A FEPESE ainda usa item de somar afirmações corretas. Confirme sempre no edital.
como estudar para prova de concurso certo ou errado
Estude por afirmações julgáveis: transforme cada trecho de lei numa frase que dê para julgar e escreva também a versão falsa dela. Anote a exceção com o mesmo destaque da regra, mantenha uma lista das palavras de fechamento que a banca planta e separe os itens que você acertou por sorte.
vale a pena chutar em prova de certo ou errado
Depende do edital e do seu próprio acerto. Item marcado errado não equivale a item em branco, e a regra de pontuação vem no edital de cada concurso. Em casa, marque sei, acho ou não faço ideia antes do gabarito e meça o acerto em cada grupo: é isso que mostra onde arriscar.
o certo ou errado é mais difícil que a múltipla escolha
Não é mais difícil, é diferente. Ele retira a muleta da eliminação e exige certeza sobre o limite da regra, o que costuma pesar mais para quem estudou por reconhecimento. Em compensação, a múltipla escolha cobra comparação fina entre alternativas quase iguais, habilidade que também precisa de treino próprio.
como treinar prova que mistura os dois formatos
Monte sessões híbridas, com um bloco de cada formato em sequência, em vez de treinar sempre num formato só. O ganho não é de conteúdo, é de troca de marcha. Ao virar de bloco, escreva na margem o comando do novo formato, julgar ou comparar, para não confundir os dois modos de leitura.
o que é item de somar afirmações corretas
É um formato em que cada afirmação tem um valor e a resposta é a soma das que estiverem corretas. Ele pune erro isolado com força, porque um único item julgado errado altera o total e derruba a questão inteira. Aparece em parte das provas de algumas organizadoras; confira o formato no edital.
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9 min de leituraConteúdo original da Equipe Edital Hoje, escrito para concursos públicos brasileiros. Critérios de correção variam por banca e por edital: confira sempre o edital do seu concurso. Última revisão em 24 de outubro de 2026.