
Você viu a notícia das 170 vagas, abriu o caderno para começar e travou na primeira pergunta: começar por onde? Sem edital publicado, a tentação é esperar. E esperar é justamente o que separa quem faz prova de quem passa: quando o edital sair, quem começou hoje já terá lido o tronco comum uma vez e estará revisando, enquanto o resto ainda estará escolhendo material.
A boa notícia é que você não precisa adivinhar. O concurso de 2023 deixou um mapa muito claro do que cai, e o núcleo dessas provas quase não muda de edição para edição. Aqui você vai ver quais matérias servem para as quatro carreiras, o que é específico de cada uma, em que ordem estudar e quanto tempo dar para cada disciplina por semana.
Dá para saber o que estudar antes do edital sair?
Dá — e o risco é menor do que parece. O Ministério da Gestão autorizou 170 vagas nas carreiras jurídicas da AGU (50 Advogado da União, 50 Procurador Federal, 50 Procurador da Fazenda Nacional e 20 Procurador do Banco Central), com edital esperado até janeiro de 2027 e formato unificado para as quatro carreiras.

Enquanto isso não sai, o material mais confiável é o edital anterior. Os concursos de 2022/2023 foram aplicados pelo Cebraspe, com objetivas de 100 questões. O conteúdo programático deles é seu ponto de partida — não porque vá ser copiado letra a letra, mas porque o núcleo da advocacia pública é estável: constitucional, administrativo, civil e processo civil não saem do edital.
O que pode mudar é a moldura: a banca ainda não foi contratada, e a imprensa noticiou (sem confirmação) uma possível prova da ENAP como etapa eliminatória e a escolha de carreira antes da discursiva. Nada disso muda o que você lê nos próximos meses. Antes de montar o plano, veja as etapas e provas do concurso da AGU.
As matérias que caem em todas as carreiras
Comece pelo que serve para as quatro. Essas disciplinas aparecem na objetiva, voltam na discursiva e voltam na oral. São o investimento de maior retorno: nenhum minuto gasto nelas se perde se você mudar de carreira no meio do caminho.
- Direito Constitucional — controle difuso e concentrado, direitos fundamentais, organização do Estado, competências, jurisprudência do STF. É a que mais aparece disfarçada dentro das outras. Recorte em Direito Constitucional para a AGU.
- Direito Administrativo — atos, licitações e contratos, agentes públicos, responsabilidade civil do Estado, improbidade, processo administrativo. É a matéria do dia a dia do cargo. Detalhamento em Direito Administrativo para a AGU.
- Direito Civil e Processo Civil — a advocacia pública é, na prática, contencioso: prescrição, responsabilidade civil, contratos, tutelas, execução contra a Fazenda, precatórios, recursos. Tudo em Direito Civil e Processo Civil para a AGU.
- Direito Tributário e Financeiro — cai em todas as carreiras em algum grau, e é o coração da PFN.
- Penal, Trabalho e Internacional — presentes no edital anterior em blocos menores. Não ignore, mas não comece por aqui.
Uma observação que economiza meses: o que dá ponto é a aplicação do direito material contra a Fazenda Pública. Estudar prescrição no Código Civil sem ver a prescrição quinquenal contra a Fazenda é estudar meia matéria.
Os grupos I, II e III: como o último edital organizou tudo
O edital de Procurador da Fazenda Nacional de 2023 é o exemplo mais didático. A objetiva, em 21 de maio de 2023, teve 100 questões, 100 pontos e 5 horas, com as matérias em três grupos, conforme a divulgação da época:
- Grupo I — Tributário, Financeiro e Previdenciário.
- Grupo II — Civil, Penal e Trabalho.
- Grupo III — Constitucional, Administrativo e Internacional.
Por que isso importa agora? Porque provas divididas em grupos costumam exigir desempenho mínimo em cada um: não adianta ser um monstro em tributário e zerar o grupo do civil. Pesos e mínimos só o edital novo vai definir.
Guarde a lógica mesmo que os grupos mudem: garanta um piso em todas as matérias antes de buscar excelência em alguma. Como as provas de 2023 foram na prática está no resumo do último concurso da AGU.
O que muda de uma carreira para outra
O tronco é comum, mas cada carreira tem um bloco que decide a aprovação. Com edital unificado, você estuda o núcleo uma vez e reforça o específico da sua escolha — por isso decidir cedo ajuda. Em dúvida, compare em diferença entre as quatro carreiras da AGU.
Procurador da Fazenda Nacional (PGFN)
Representa a União em matéria fiscal e cobra a dívida ativa. O bloco pesado é Tributário, Financeiro e execução fiscal: constituição do crédito, prescrição e decadência, certidão de dívida ativa, embargos, exceção de pré-executividade, parcelamentos, transação. É o conteúdo mais técnico e concentrado das quatro. Caminho completo em Direito Tributário para Procurador da Fazenda Nacional.
Procurador Federal (PGF)
Atua pelas autarquias e fundações federais — INSS, Ibama, universidades, agências reguladoras. Isso põe Previdenciário no centro, junto com o regime jurídico das autarquias e o contencioso de massa: benefícios, custeio e processo judicial previdenciário. Detalhes em Direito Previdenciário para Procurador Federal.
Procurador do Banco Central (PGBC)
Representa e assessora o Banco Central. Além do núcleo comum, o estudo puxa para o sistema financeiro nacional em termos gerais, regulação e direito econômico. São 20 vagas, a menor oferta das quatro.
Advogado da União (PGU)
A mais generalista: representa e assessora a União na administração direta, dos ministérios à Presidência. O estudo é largo em vez de profundo num ramo — constitucional e administrativo com força, processo civil pesado e muita escrita, já que em 2023 a carreira teve três provas discursivas depois da objetiva.
Como montar seu edital verticalizado antes do edital sair
Edital verticalizado é o conteúdo programático quebrado em linhas pequenas, cada uma com espaço para marcar teoria, questões e revisões. É a diferença entre "estudar administrativo" (vago, infinito) e "responsabilidade civil do Estado — lido, 40 questões, 2 revisões".
- Cole o conteúdo programático da carreira, no edital de 2022/2023, numa planilha: uma linha por tópico.
- Crie colunas para teoria, lei seca, questões feitas, acertos e data da última revisão.
- Marque com cor o que você já viu na graduação ou na OAB. São atalhos, não lugares de conforto.
- Rode um diagnóstico com questões antigas, por tópico, sem estudar antes. O que passar de 70% de acerto entra em modo revisão; o resto, em modo teoria.
- Quando o edital novo sair, não refaça a planilha: compare linha a linha, marque o que entrou e risque o que saiu.
Em que ordem estudar e quanto tempo dar para cada matéria
Primeiro o que sustenta o resto, depois o que é específico. Constitucional e administrativo abrem o ciclo porque explicam a lógica de tudo o que vem depois — inclusive de tributário e previdenciário. Processo civil entra em seguida. A específica da carreira entra já no primeiro mês, em dose menor, e vai crescendo.
Sobre a proporção, pense em blocos: 40% do tempo no núcleo (constitucional, administrativo, civil e processo civil), 30% na específica da carreira, 20% em questões e revisão programada e 10% no rodízio das matérias menores. Com menos tempo, corte do rodízio — nunca da revisão.
Terça (3h): Administrativo 2h + 30 questões.
Quarta (3h): Específica da carreira 2h (tributário, previdenciário ou econômico) + 30 questões.
Quinta (3h): Processo Civil 2h + 30 questões.
Sexta (3h): Civil 1h30 + rodízio (penal, trabalho, internacional) 1h + questões.
Sábado (4h): específica da carreira 2h + simulado ou 60 questões misturadas.
Domingo (1h): revisão do que você errou na semana.
Regra da casa: nenhuma sessão termina sem questões — teoria sem questão vira leitura, e leitura não é estudo.
Essa lógica já distribuída em semanas, com marcos de revisão e simulado, está no cronograma de estudos de 6 meses para a AGU.
Se a banca se repetir, o estilo certo/errado muda como você estuda
A banca do novo concurso ainda não foi contratada. Mas os últimos concursos foram do Cebraspe, e vale entender o que muda se ele voltar: o formato de item certo ou errado, em que você julga uma afirmação isolada em vez de escolher entre cinco alternativas.

Isso muda o estudo. Não existe eliminação por comparação: ou você sabe a regra, ou o item é uma moeda. O detalhe literal pesa — prazo trocado, "poderá" no lugar de "deverá", exceção apresentada como regra. E, quando há desconto por erro, responder tudo deixa de ser estratégia e vira risco.
- Estude com lei seca do lado, não só resumo: o item nasce de uma palavra do texto legal.
- Anote exceções em lista própria. Grande parte dos itens errados é uma exceção vendida como regra geral.
- Treine julgar afirmações: pegue uma frase do resumo, mude uma palavra e decida se ficou certa ou errada.
- Meça sua taxa de acerto por matéria e defina um limite pessoal de chute: blocos em que você erra mais não merecem o mesmo comportamento na prova.
E se vier outra banca? Nada disso se perde: lei seca, exceções e volume de questões servem para qualquer formato. O que muda é a política de chute. Acompanhe em qual será a banca do concurso da AGU.
Os erros que fazem perder mais tempo nessa fase
Quase todo mundo que fica pelo caminho comete dois destes. Eles não parecem erros — parecem dedicação.
2. Estudar só a matéria específica. Se a prova for dividida em grupos como em 2023, o mínimo de cada grupo elimina antes da soma final.
3. Acumular material. Três livros por matéria é forma sofisticada de não estudar nenhum.
4. Deixar a discursiva para o fim. Em 2023, Advogado da União teve três provas discursivas — escrever só melhora com repetição.
O antídoto do quarto item é barato: uma peça ou uma dissertação por semana, desde já, sobre um tema que você acabou de estudar. Você aproveita a teoria fresca e transforma leitura em texto. O que costuma cair está em como é a prova discursiva da AGU.
E revise a lógica do concurso a cada ajuste de plano: vagas, carreiras, etapas. O guia completo do concurso da AGU é o mapa para onde voltar quando bater dúvida de rota.
Perguntas frequentes
o que estudar para AGU antes do edital sair
Comece pelo núcleo comum às quatro carreiras: Constitucional, Administrativo, Civil e Processo Civil. Depois acrescente a matéria específica da carreira que você mira. Use o conteúdo programático de 2022/2023 como esqueleto e ajuste quando o edital novo sair, esperado até janeiro de 2027.
quais são as matérias do concurso AGU
No último concurso, o edital de Procurador da Fazenda Nacional dividiu as matérias em três grupos: I com Tributário, Financeiro e Previdenciário; II com Civil, Penal e Trabalho; III com Constitucional, Administrativo e Internacional. As disciplinas do novo edital só serão conhecidas na publicação.
quantas questões tem a prova objetiva da AGU
Em 2023, as objetivas de Advogado da União, Procurador Federal e Procurador da Fazenda Nacional tiveram 100 questões cada; a da Fazenda valeu 100 pontos, com 5 horas de duração. Para o novo concurso, número de questões, pesos e duração serão definidos pelo edital.
o que cai em cada carreira da AGU
O tronco é o mesmo, o reforço muda. Procurador da Fazenda Nacional puxa Tributário, Financeiro e execução fiscal. Procurador Federal puxa Previdenciário e o regime das autarquias. Procurador do Banco Central puxa sistema financeiro e regulação. Advogado da União é o mais generalista, com peso em Constitucional, Administrativo e Processo Civil.
como montar um edital verticalizado para a AGU
Pegue o conteúdo programático do edital anterior, quebre cada tópico em uma linha de planilha e crie colunas para teoria, lei seca, questões feitas, acertos e última revisão. Use um diagnóstico com questões antigas para separar o que precisa de teoria do que já vai para revisão. Quando o edital novo sair, compare linha a linha.
quantas horas por dia estudar para o concurso da AGU
Mais importante que o total é a distribuição. Uma semana de 20 horas bem dividida rende mais que 30 desorganizadas: cerca de 40% no núcleo comum, 30% na específica da carreira, 20% em questões e revisão e 10% nas disciplinas menores. Nenhuma sessão deve terminar sem questões.
a prova da AGU é do Cebraspe
A banca do novo concurso ainda não foi contratada nem definida. Os últimos concursos, com provas em 2023, foram do Cebraspe. Enquanto não há definição, estude com lei seca e volume de questões — o que funciona em qualquer formato — e ajuste a política de chute quando o edital anunciar a banca.
quantas vagas o concurso da AGU vai ter
Foram autorizadas 170 vagas nas carreiras jurídicas: 50 para Advogado da União, 50 para Procurador Federal, 50 para Procurador da Fazenda Nacional e 20 para Procurador do Banco Central. A AGU anunciou edital unificado para as quatro, com etapas e cronograma comuns. As demais regras virão no edital.
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