
Direito Constitucional é a base das quatro carreiras da AGU — Advogado da União, Procurador Federal, Procurador da Fazenda Nacional e Procurador do Banco Central caem na mesma prova de conhecimentos jurídicos. É também um dos blocos mais extensos do edital, o que deixa muita gente sem saber por onde entrar: reler a Constituição inteira, decorar súmulas ou só fazer questões?
Este guia separa os temas que historicamente pesam em provas de advocacia pública, mostra como estudar cada um — texto constitucional, jurisprudência do STF e questões, nessa ordem — e fecha com um roteiro de seis semanas para organizar a revisão até o novo edital sair.
Quais temas de Direito Constitucional mais pesam na prova da AGU?
Nas provas de advocacia pública — e a AGU não foge à regra — Direito Constitucional costuma se concentrar em seis blocos. Eles se repetem porque estão ligados direto ao trabalho de quem vai defender a União, suas autarquias ou a Fazenda Nacional em juízo.
- Controle de constitucionalidade e o papel da AGU nas ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs).
- Organização do Estado e repartição de competências entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios.
- Direitos e garantias fundamentais, com os remédios constitucionais.
- Processo legislativo: espécies normativas, iniciativa e quórum.
- Ordem econômica e ordem financeira — orçamento, tributação e intervenção do Estado na economia.
- Funções essenciais à Justiça, com a própria AGU dentro do texto constitucional.

Não existe estatística oficial de quanto cada bloco pesa — o guia geral do que estudar para a AGU trata da distribuição completa das matérias. O que dá para afirmar é que esses seis temas aparecem, em algum grau, nas últimas provas de carreiras jurídicas federais, e é essa a lógica que organiza a ordem de estudo abaixo.
Controle de constitucionalidade e o papel da AGU nas ADIs
Esse é o tema mais identificado com a carreira: quando o STF julga uma ação direta de inconstitucionalidade, a Constituição manda citar previamente o Advogado-Geral da União, que defende o ato ou a lei impugnada. É a chamada função de curador da presunção de constitucionalidade das normas.
A prova gosta de cobrar os limites dessa defesa: o STF já entendeu, mais de uma vez, que a AGU não é obrigada a defender uma norma quando o próprio tribunal já tem jurisprudência consolidada contra ela. Some a isso controle difuso e concentrado, e as diferenças entre ADI, ADC, ADPF e ADO — cada ação com legitimados, efeitos e cabimento próprios.
Como estudar este bloco
- Leia o texto dos arts. 102 e 103 da Constituição direto da fonte, sem resumo de terceiros.
- Depois, veja como o STF aplica cada dispositivo — jurisprudência é o que mais diferencia um item certo de um errado.
- Feche com questões: é ali que você percebe se decorou a letra da lei ou só entendeu por cima.
Organização do Estado e repartição de competências
Federalismo é outro clássico de advocacia pública, porque a AGU e a PGF atuam bem no meio dele: defendem a União e as autarquias federais quando um Estado ou Município questiona uma lei federal — ou o contrário.
O que costuma cair: competências privativas, comuns e concorrentes (arts. 21 a 24), intervenção federal e a hierarquia entre lei federal, estadual e municipal quando os três legislam sobre o mesmo assunto. É um bloco que rende bem porque tem pouco espaço para interpretação — ou o texto diz aquilo, ou não diz.
Direitos fundamentais: teoria geral, remédios e limites à atuação do Estado
Direitos fundamentais entra tanto pela teoria geral (gerações, características, colisão de direitos) quanto pelos remédios constitucionais — habeas corpus, mandado de segurança, habeas data, mandado de injunção e ação popular. É comum a prova misturar o remédio certo com a hipótese errada.
Para quem vai advogar pelo Estado, vale atenção redobrada nos limites que a própria Constituição impõe à atuação da União: direito de propriedade e desapropriação, direito adquirido diante de mudança de lei, e o dever de fundamentação dos atos administrativos que restringem direitos.
Processo legislativo: espécies normativas, iniciativa e quórum
Processo legislativo é decorar e aplicar: emenda constitucional, lei complementar, lei ordinária, lei delegada, medida provisória, decreto legislativo e resolução — cada uma com processo, quórum e cabimento diferentes. A banca gosta de trocar um detalhe do texto (quórum, prazo, quem pode propor) e ver se você percebe.
O texto dos arts. 59 a 69 da Constituição resolve boa parte da prova sozinho; jurisprudência entra mais nos casos de vício de iniciativa e nas discussões sobre limites da medida provisória.
Ordem econômica e ordem financeira: bloco decisivo para quem mira a PFN
Ordem econômica (art. 170 em diante) trata dos princípios que regem a atuação do Estado na economia — livre concorrência, função social da propriedade, intervenção direta e indireta. Ordem financeira (arts. 163 a 169) entra em orçamento público, dívida pública e limites de gasto.
Para quem mira Procurador da Fazenda Nacional, este bloco costuma pesar mais, porque conversa direto com o dia a dia da carreira: dívida ativa, cobrança fiscal e finanças públicas. Isso não quer dizer que as outras carreiras podem pular o tema — só que aqui vale um cuidado extra. Quem quiser aprofundar a parte tributária pode ver direito tributário para a PFN.

Funções essenciais à Justiça: a própria AGU dentro da Constituição
Este é o bloco mais óbvio e, por isso mesmo, o que menos se pode errar: os arts. 131 e 132 da Constituição criam a Advocacia-Geral da União e definem seu papel de representar a União judicial e extrajudicialmente, além de prestar consultoria e assessoramento jurídico ao Poder Executivo.
A prova costuma cobrar esse capítulo junto com Ministério Público e Defensoria Pública — as outras funções essenciais à Justiça — pedindo para diferenciar natureza, forma de ingresso e garantias de cada instituição. Vale revisar em conjunto com direito administrativo para a AGU, porque as duas matérias se cruzam na parte de organização da administração pública.
Como o formato certo ou errado cobra letra de lei e jurisprudência
Nos últimos concursos de carreiras jurídicas federais, a banca foi o Cebraspe — o novo edital da AGU ainda não tem banca definida, então confirme isso assim que ele sair. Ainda assim, vale entender desde já a lógica do formato certo ou errado, porque é o que aparece com mais frequência em concursos parecidos.
Cada item costuma testar uma frase só: ou é a letra literal da Constituição com uma palavra trocada, ou é a posição do STF sobre aquele artigo. Não existe meio-termo, e o item errado geralmente muda um detalhe pequeno — o órgão competente, o quórum, o prazo — para parecer certo à primeira leitura.
Um roteiro de seis semanas para revisar Direito Constitucional
Não existe cronograma oficial — cada pessoa tem uma rotina diferente e o edital ainda não saiu. O cronograma de estudos de 6 meses para a AGU trata da preparação completa; a proposta abaixo é só para fechar constitucional em seis semanas, juntando texto, jurisprudência e questões.
Semana 2 — organização do Estado: repartição de competências (arts. 21 a 24) e federalismo.
Semana 3 — direitos fundamentais: teoria geral e remédios constitucionais.
Semana 4 — processo legislativo: espécies normativas, iniciativa e quórum.
Semana 5 — ordem econômica e financeira: arts. 163 a 192.
Semana 6 — funções essenciais à Justiça (AGU, Ministério Público, Defensoria) e revisão geral com um simulado da AGU cronometrado.
Se o edital sair antes de você terminar as seis semanas, não é motivo para recomeçar do zero: ajuste o que falta e mantenha o ritmo de questões — é o que mais aproxima o seu desempenho do que a banca vai cobrar de verdade. O guia completo do concurso AGU reúne as outras etapas da preparação.
Perguntas frequentes
Quanto de Direito Constitucional cai na prova da AGU?
O edital ainda não saiu, então o número exato de questões não está definido. Nos últimos concursos das carreiras jurídicas federais, Direito Constitucional era uma das matérias com mais peso na prova objetiva — confira a divisão exata assim que o novo edital for publicado.
Qual banca costuma cobrar Direito Constitucional na AGU?
A banca do novo concurso ainda não foi contratada. Os últimos concursos das carreiras jurídicas da AGU, em 2022 e 2023, foram organizados pelo Cebraspe, que usa o formato certo ou errado. Isso pode se repetir, mas só o edital confirma.
Precisa saber jurisprudência do STF para a prova da AGU?
Sim, principalmente nos blocos de controle de constitucionalidade e direitos fundamentais. O texto da Constituição resolve parte da prova, mas o formato certo ou errado costuma testar como o STF interpretou cada artigo, não só o que ele diz.
Por onde começar a estudar Direito Constitucional para a AGU?
Comece pelo bloco de controle de constitucionalidade e pelo papel da AGU nas ADIs, porque é o tema mais identificado com a carreira. Depois siga para organização do Estado, direitos fundamentais, processo legislativo e ordem econômica e financeira, sempre juntando texto, jurisprudência e questões.
Direito Constitucional é igual para as quatro carreiras da AGU?
Sim, a base constitucional é a mesma para Advogado da União, Procurador Federal, Procurador da Fazenda Nacional e Procurador do Banco Central, já que o concurso deve ser unificado. O que muda entre elas é o peso maior de outras matérias específicas, como tributário para a PFN.
Dá para estudar Direito Constitucional só com questões?
Só com questões você aprende o formato, mas corre o risco de decorar respostas sem entender o texto. O caminho mais seguro é ler o artigo da Constituição, ver como o STF já decidiu sobre ele e só depois treinar com questões, nessa ordem.
O que é mais importante: letra da lei ou jurisprudência do STF?
As duas coisas, em momentos diferentes. A letra da Constituição é a base de praticamente todo item; a jurisprudência entra para testar se você sabe como o STF aplica esse texto em casos concretos. Ignorar uma das duas deixa lacunas que aparecem no dia da prova.
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9 min de leituraConteúdo original da Equipe Edital Hoje, escrito para concursos públicos brasileiros. Critérios de correção variam por banca e por edital: confira sempre o edital do seu concurso. Última revisão em 7 de setembro de 2026.